{"id":1211,"date":"2023-11-16T14:25:40","date_gmt":"2023-11-16T12:25:40","guid":{"rendered":"https:\/\/antithesi.gr\/?page_id=1211"},"modified":"2026-03-13T12:40:07","modified_gmt":"2026-03-13T10:40:07","slug":"contra-a-posicao-leninista-sobre-o-imperialismo","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/antithesi.gr\/?page_id=1211","title":{"rendered":"Contra a posi\u00e7\u00e3o leninista sobre o imperialismo"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" title=\"IMG-20231115-WA0009\" src=\"https:\/\/criticadesapiedada.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/IMG-20231115-WA0009.jpg\" alt=\"\" width=\"629\" height=\"527\" \/><\/p>\n<p><em>Traduzido por Marco T\u00falio Vieira<\/em> (<a href=\"https:\/\/criticadesapiedada.com.br\/2023\/11\/15\/contra-a-posicao-leninista-sobre-o-imperialismo-antithesi\/\">Cr\u00edtica Desapiedada <\/a>portal)<\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">O nosso objetivo inicial antes de publicar em ingl\u00eas o texto \u201cGuerra e Crise\u201d, sobre a guerra na Ucr\u00e2nia, era compor, junto de outros camaradas, um artigo mais amplo e abrangente que inclu\u00edsse, para al\u00e9m do texto sobre a situa\u00e7\u00e3o atual, uma cr\u00edtica ao imperialismo e ao anti-imperialismo com base numa compreens\u00e3o particular do capital, do Estado e do mercado global. Uma compreens\u00e3o do capital como uma rela\u00e7\u00e3o social de produ\u00e7\u00e3o, do Estado como a forma pol\u00edtica do dom\u00ednio do capital, e do mercado mundial como uma caracter\u00edstica distintiva e um elemento essencial do capitalismo e como uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a exist\u00eancia de Estados-na\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o artigo incluiria uma pol\u00eamica contra o nacionalismo de esquerda e as v\u00e1rias formas de belicismo e \u201cuni\u00e3o sagrada\u201d entre as classes, bem como uma defesa do derrotismo revolucion\u00e1rio. Infelizmente, as circunst\u00e2ncias n\u00e3o permitiram que tal artigo fosse conclu\u00eddo como um \u00fanico ensaio e as suas partes est\u00e3o sendo publicadas como textos independentes.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-right\">Antithesi &amp; Amigos<\/p>\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Contra a posi\u00e7\u00e3o leninista sobre o imperialismo: Guerra capitalista significa paz social<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">O conceito de imperialismo foi utilizado no s\u00e9culo XX para descrever dois fen\u00f4menos principais: por um lado, a agress\u00e3o militar dos Estados capitalistas (guerras imperialistas, ocupa\u00e7\u00e3o militar e conquista territorial) e, por outro lado, a expans\u00e3o global do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista em seus aspectos econ\u00f4micos, pol\u00edticos, sociais e culturais.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">Dado que Marx considerava como aspectos inerentes ao capitalismo o seu car\u00e1ter global e a sua expans\u00e3o, ele n\u00e3o necessitava de um conceito espec\u00edfico para se referir a esses fen\u00f4menos. Al\u00e9m disso, embora tenha atacado veementemente a viol\u00eancia, a opress\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o do colonialismo, ele tamb\u00e9m pensava que o processo de moderniza\u00e7\u00e3o capitalista cria as condi\u00e7\u00f5es para uma situa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica em que a humanidade pode gerar uma forma de sociedade emancipada (embora ele n\u00e3o considerasse necess\u00e1rio que todas as formas sociais pr\u00e9-capitalistas passassem pelo processo de \u201cacumula\u00e7\u00e3o primitiva\u201d capitalista no caminho em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">Por essa raz\u00e3o, quando nos deparamos com o conceito de imperialismo (ou, por outro lado, com o conceito de imp\u00e9rio) em Marx, ele tem um significado completamente diferente daquele que assumiu no s\u00e9culo XX: \u00e9 usado como sin\u00f4nimo de bonapartismo ou cesarismo, ou seja, para um regime pol\u00edtico autorit\u00e1rio agindo em favor dos interesses da burguesia\u00a0<strong>em geral.\u00a0<\/strong>O termo imperialismo \u00e9, portanto, usado em Marx devido a sua refer\u00eancia direta ao regime do Imp\u00e9rio Romano (imperium), onde o poder est\u00e1 concentrado na pessoa do Imperador, que prevalece sobre as fac\u00e7\u00f5es dos patr\u00edcios em guerra. No conceito marxista de imperialismo ou bonapartismo, o poder do Parlamento e, mais geralmente, das institui\u00e7\u00f5es liberais de representa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica \u00e9 substitu\u00eddo pelo executivo, a administra\u00e7\u00e3o do Estado torna-se independente dos ditames das fac\u00e7\u00f5es individuais da burguesia, enquanto o l\u00edder, em cuja pessoa o poder estatal est\u00e1 concentrado, tenta conquistar as \u201cclasses mais baixas\u201d mediante benef\u00edcios e fraseologias demag\u00f3gicos que, naturalmente, n\u00e3o afetam em nada a explora\u00e7\u00e3o capitalista do trabalho (um fen\u00f4meno que na terminologia moderna \u00e9 chamado de \u201cpopulismo\u201d). Dessa forma, o Estado aparece como uma institui\u00e7\u00e3o neutra que se eleva acima da sociedade. Como Marx pontuou em um de seus escritos sobre a Comuna de Paris, o imperialismo \u00e9 a forma suprema do poder estatal burgu\u00eas: se o Estado foi originalmente usado pela burguesia para sua emancipa\u00e7\u00e3o do feudalismo, na sociedade burguesa plenamente desenvolvida, atrav\u00e9s do imperialismo\/bonapartismo o Estado assume o car\u00e1ter\u00a0<strong>de poder nacional do capital social total sobre o trabalho,<\/strong> uma vez que ele se eleva acima dos interesses de um ou outro setor da burguesia.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">No entanto, o conceito de \u201cimperialismo\u201d assume um significado muito diferente no s\u00e9culo XX. A principal caracter\u00edstica do novo conceito foi formulada primeiro pelo ingl\u00eas John Hobson, um economista socialista liberal, em sua magnum opus intitulada\u00a0<em>Imperialismo<\/em>, publicada em 1902. Embora n\u00e3o fosse marxista, John Hobson criticou fortemente a lei de Say de que \u201ca oferta cria sua pr\u00f3pria demanda\u201d e ficou conhecido por sua teoria do subconsumo como explica\u00e7\u00e3o da Grande Depress\u00e3o do final do s\u00e9culo XIX. O subconsumo, segundo a teoria, deveu-se \u00e0 grande desigualdade de distribui\u00e7\u00e3o de renda. O rendimento limitado de muitos \u00e9 acompanhado pelas poupan\u00e7as excessivas dos poucos ricos, que est\u00e3o estagnando \u00e0 medida que se torna dif\u00edcil investir internamente no pa\u00eds com rentabilidade suficiente. Segundo Hobson, essa \u00e9 a for\u00e7a motriz do imperialismo, definido nesse caso como a procura por novos mercados e meios de investimento atrav\u00e9s da expans\u00e3o colonial para exportar capital excedente, que visa resolver a crise criada pelo subconsumo no pa\u00eds em causa. Hobson via o imperialismo como um elemento desnecess\u00e1rio e imoral do capitalismo, que poderia ser abandonado. Em particular, ele prop\u00f4s a elimina\u00e7\u00e3o do capital excedente atrav\u00e9s da redistribui\u00e7\u00e3o de renda e da nacionaliza\u00e7\u00e3o dos monop\u00f3lios, ou seja, atrav\u00e9s da reforma do capitalismo sem a necessidade de sua derrubada revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">Al\u00e9m do socialista liberal Hobson, alguns marxistas, como Parvus, Kautsky, Hilferding, Rosa Luxemburgo e L\u00eanin, deram um significado semelhante ao conceito de imperialismo, sem necessariamente serem diretamente influenciados por Hobson (por exemplo, Parvus e Luxemburgo). O conte\u00fado comum que todos atribu\u00edram ao imperialismo foi a tentativa de se encontrar uma sa\u00edda para a crise de reprodu\u00e7\u00e3o do capital, quando este procura se expandir para novos mercados com a exporta\u00e7\u00e3o de mercadorias e de capital \u2013 independentemente da interpreta\u00e7\u00e3o que cada um deles deu \u00e0 crise (crise de subconsumo no caso de Luxemburgo, crise de superprodu\u00e7\u00e3o no caso de Parvus, desproporcionalidade entre setores da produ\u00e7\u00e3o capitalista no caso de Hilferding e L\u00eanin, etc.).<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">O trabalho te\u00f3rico mais importante e influente em que mais ou menos todos os marxistas acima se basearam foi o livro de Rudolf Hilferding,\u00a0<em>O Capital Financeiro<\/em>, publicado pela primeira vez em 1910. Em sua obra, Hilferding, influenciado por Parvus e Hobson, introduz o conceito de capital financeiro como o mais recente \u201cest\u00e1gio\u201d ou \u201cfase\u201d, como ele chama, do capitalismo. Como ele escreveu:<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">\u201c<em>O<\/em> <em>Capital financeiro significa a unifica\u00e7\u00e3o do capital. As esferas anteriormente separadas do capital industrial, comercial e banc\u00e1rio s\u00e3o agora colocadas sob a dire\u00e7\u00e3o comum das altas finan\u00e7as, na qual os mestres da ind\u00fastria e dos bancos est\u00e3o unidos em uma estreita associa\u00e7\u00e3o pessoal. A base dessa associa\u00e7\u00e3o \u00e9 a elimina\u00e7\u00e3o da livre concorr\u00eancia entre os capitalistas individuais pelas grandes associa\u00e7\u00f5es monopolistas. Naturalmente,\u00a0 isso implica, ao mesmo tempo, uma mudan\u00e7a na rela\u00e7\u00e3o da classe capitalista com o poder do Estado.\u00a0<\/em>[\u2026] <em>A pol\u00edtica do capital financeiro tem tr\u00eas objetivos: (1) estabelecer o maior territ\u00f3rio econ\u00f4mico poss\u00edvel; (2) fechar esse territ\u00f3rio \u00e0 concorr\u00eancia estrangeira por meio de um muro de tarifas protecionistas e, consequentemente, (3) reserv\u00e1-lo como espa\u00e7o de explora\u00e7\u00e3o para as associa\u00e7\u00f5es monopolistas nacionais<\/em>\u201c.\u00a0O capital financeiro \u00e9 a\u00a0<strong>etapa final do capitalismo<\/strong>\u00a0e nessa fase final, de acordo com Hilferding, o capitalismo tem as seguintes caracter\u00edsticas:<\/p>\n<ul>\n<li class=\"texto-justificado\">a forma\u00e7\u00e3o de trustes, cart\u00e9is e empresas geralmente monopolistas (que abolem a concorr\u00eancia capitalista),<\/li>\n<li>fus\u00e3o do capital banc\u00e1rio e industrial em capital financeiro,<\/li>\n<li>o abandono do livre com\u00e9rcio e a sua substitui\u00e7\u00e3o pelo protecionismo a favor dos monop\u00f3lios nacionais,<\/li>\n<li>subordina\u00e7\u00e3o do Estado aos monop\u00f3lios e ao capital financeiro,<\/li>\n<li>e a forma\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas expansionistas de anexa\u00e7\u00e3o colonial e de guerra, atrav\u00e9s das quais os Estados apoiam o movimento do \u201cseu\u201d capital. A competi\u00e7\u00e3o entre capitais individuais transforma-se em rivalidade geopol\u00edtica entre os Estados-Na\u00e7\u00e3o, conforme o poder de cada um.<\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"texto-justificado\">Hilferding mais tarde descreveu essa fase capitalista como \u201ccapitalismo organizado\u201d. H\u00e1 uma afinidade com a no\u00e7\u00e3o de Marx de imperialismo\/bonapartismo no sentido que, como aponta Hilferding, o \u201c<em>Poder econ\u00f4mico significa tamb\u00e9m poder pol\u00edtico. O dom\u00ednio da economia fornece o controle dos instrumentos do poder estatal. Quanto maior o grau de concentra\u00e7\u00e3o na esfera econ\u00f4mica, menos restri\u00e7\u00f5es h\u00e1 para o controle do estado. A concentra\u00e7\u00e3o rigorosa de todos os instrumentos do poder estatal assume a forma de uma utiliza\u00e7\u00e3o extrema do poder do Estado, que se torna o instrumento invenc\u00edvel para manter a domina\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica<\/em>\u201d.\u00a0Mas isso \u00e9 claramente um erro colossal: o fato de o Estado assumir o car\u00e1ter de poder nacional do capital social total sobre o trabalho e se elevar acima dos interesses das diferentes se\u00e7\u00f5es da burguesia n\u00e3o \u00e9 necessariamente id\u00eantico \u00e0 aboli\u00e7\u00e3o da concorr\u00eancia e \u00e0 fus\u00e3o completa do Estado com os monop\u00f3lios, nem \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o do poder nas m\u00e3os dos chamados \u201coligarcas capitalistas\u201d (cuja ditadura pode assim ser substitu\u00edda pela ditadura dos dirigentes do partido sobre o proletariado).<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">Em ess\u00eancia, L\u00eanin adota essa posi\u00e7\u00e3o de Hilferding em sua totalidade na sua obra <em>Imperialismo, est\u00e1gio superior do capitalismo<\/em>, e a desenvolve ainda mais. Resumidamente, a defini\u00e7\u00e3o que ele d\u00e1 \u00e9 a seguinte:\u00a0<em>\u201cO imperialismo \u00e9 o capitalismo na fase de desenvolvimento em que se estabelece o dom\u00ednio dos monop\u00f3lios e do capital financeiro; na qual a exporta\u00e7\u00e3o de capital adquiriu uma import\u00e2ncia acentuada; na qual se iniciou a divis\u00e3o do mundo entre os trustes internacionais, na qual se completou a divis\u00e3o de todos os territ\u00f3rios do globo entre as maiores pot\u00eancias capitalistas<\/em>\u201d.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">Segundo L\u00eanin, o imperialismo \u00e9\u00a0o capitalismo <strong>decadente<\/strong>, uma vez que qualquer monop\u00f3lio nas condi\u00e7\u00f5es da propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o tende a declinar. O imperialismo j\u00e1 \u00e9\u00a0um capitalismo <strong>moribundo\u00a0<\/strong>porque a monopoliza\u00e7\u00e3o significa uma necrose da concorr\u00eancia devido \u00e0 centraliza\u00e7\u00e3o e, portanto, nenhum desenvolvimento adicional das for\u00e7as produtivas. A produ\u00e7\u00e3o \u00e9 socializada a tal ponto que contradiz a propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o. Assim, segundo L\u00eanin, abre-se o caminho para a revolu\u00e7\u00e3o. No entanto, a revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o aparece automaticamente, mas requer a a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria consciente e organizada da classe trabalhadora sob a orienta\u00e7\u00e3o, \u00e9 claro, do partido.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">L\u00eanin argumentou que o imperialismo \u00e9 necessariamente a etapa final do capitalismo e que essa etapa j\u00e1 estava em andamento desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Mas, aparentemente, ele provou estar lamentavelmente errado, j\u00e1 que, um s\u00e9culo depois, ainda existem monop\u00f3lios globais, mas isso n\u00e3o impediu a reprodu\u00e7\u00e3o de um n\u00famero infinito de capitais menores que exploram milh\u00f5es de prolet\u00e1rios todos os dias. Para al\u00e9m do fato de que a teoria leninista do imperialismo consagrou uma concep\u00e7\u00e3o de revolu\u00e7\u00e3o como a transfer\u00eancia do controle da produ\u00e7\u00e3o monopolista das m\u00e3os dos capitalistas para as m\u00e3os dos dirigentes do partido, ela tamb\u00e9m constituiu a base ideol\u00f3gica para a legitima\u00e7\u00e3o do apoio dos partidos de esquerda aos pequenos e m\u00e9dios capitais contra os monop\u00f3lios e os bancos, uma posi\u00e7\u00e3o de longa data tanto do Partido Comunista da Gr\u00e9cia como da esquerda grega e internacional em geral; e que n\u00e3o \u00e9, obviamente, de nenhuma forma contr\u00e1ria ao capital como rela\u00e7\u00e3o social e ao trabalho assalariado.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">Al\u00e9m disso, L\u00eanin argumentou que, na fase do imperialismo, o capitalismo se torna parasit\u00e1rio: \u201c<em>a explora\u00e7\u00e3o das na\u00e7\u00f5es oprimidas \u2014 inseparavelmente ligada \u00e0s anexa\u00e7\u00f5es \u2014 e especialmente a explora\u00e7\u00e3o das col\u00f4nias por um punhado de \u2018grandes\u2019 pot\u00eancias, transforma cada vez mais o mundo \u2018civilizado\u2019 num parasita no corpo de centenas de milh\u00f5es de pessoas nas na\u00e7\u00f5es n\u00e3o civilizadas. O prolet\u00e1rio romano vivia \u00e0 custa da sociedade. A sociedade moderna vive \u00e0 custa do proletariado moderno<\/em>\u201d.\u00a0Assim, o objetivo imediato na fase imperialista \u00e9 a explora\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses fracos. Isso \u00e9 realizado por meio de conquistas imperialistas que estabelecem uma realidade econ\u00f4mica internacional desigual, na qual os Estados imperialistas t\u00eam uma posi\u00e7\u00e3o dominante e os Estados e povos subordinados aos imperialistas t\u00eam uma posi\u00e7\u00e3o subordinada.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">Portanto, o principal pressuposto da teoria leninista do imperialismo \u00e9 que o subdesenvolvimento e o sofrimento dos povos da periferia s\u00e3o causados pela depend\u00eancia dos pa\u00edses da periferia em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses da metr\u00f3pole. Isso \u00e9 conseguido pela \u201cpilhagem\u201d da periferia e pela \u201copera\u00e7\u00e3o\u201d do capital estrangeiro que domina o capital dom\u00e9stico.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">Al\u00e9m do fato de que a tese do \u201cparasitismo\u201d \u00e9 claramente contrarrevolucion\u00e1ria, uma vez que apresenta os prolet\u00e1rios dos pa\u00edses capitalistas desenvolvidos como exploradores dos prolet\u00e1rios dos pa\u00edses capitalistas menos desenvolvidos, ela tamb\u00e9m est\u00e1 errada. Devido \u00e0 elevada produtividade do trabalho nos pa\u00edses capitalistas desenvolvidos, o grau de explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores nesses pa\u00edses \u00e9 muito superior ao dos trabalhadores nos pa\u00edses capitalistas menos desenvolvidos. Al\u00e9m disso, tal posi\u00e7\u00e3o sobre o parasitismo leva ao apoio dos movimentos de liberta\u00e7\u00e3o nacional, isto \u00e9, ao fortalecimento do nacionalismo e, finalmente, ao apoio ao estabelecimento e desenvolvimento das rela\u00e7\u00f5es capitalistas nos pa\u00edses \u201csubdesenvolvidos\u201d.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">Um acontecimento de import\u00e2ncia decisiva para a difus\u00e3o da pol\u00edtica anti-imperialista e para o curso da liberta\u00e7\u00e3o nacional e dos movimentos anticoloniais foi o 6\u00b0 Congresso do Comintern em 1928, que adotou a posi\u00e7\u00e3o de que o imperialismo era um obst\u00e1culo ao desenvolvimento industrial das col\u00f4nias. Naquela \u00e9poca, muitos comunistas haviam aderido \u00e0 posi\u00e7\u00e3o marxista mais antiga que presumia que o colonialismo levaria a longo prazo \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o, que por sua vez era vista como uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a emancipa\u00e7\u00e3o humana geral. A posi\u00e7\u00e3o do Comintern reflete uma contradi\u00e7\u00e3o central \u00e0 teoria marxista e \u00e0 dial\u00e9tica, notadamente a dial\u00e9tica entre o capitalismo (e a sua principal forma pol\u00edtica contempor\u00e2nea, o Estado-na\u00e7\u00e3o) e a emancipa\u00e7\u00e3o. Por um lado, ela afirmou firmemente a concep\u00e7\u00e3o marxista da progressividade do capitalismo na medida em que o desenvolvimento intenso e r\u00e1pido do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista foi promovido sob o pseud\u00f4nimo de \u201csocialismo\u201d, enquanto, por outro lado, a expans\u00e3o global do capitalismo, sob o nome de \u201cimperialismo\u201d, foi acusada de atrasar e bloquear o processo de moderniza\u00e7\u00e3o nas col\u00f4nias, que acabaria por levar \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o humana geral. Mediante um movimento que rompe essa dial\u00e9tica, o lado bom do capitalismo, que traz desenvolvimento e, portanto, traz a possibilidade de emancipa\u00e7\u00e3o \u2013 realizado por um regime socialista, isto \u00e9, capitalista de Estado, que em algum momento do processo se tornar\u00e1 comunista \u2013 \u00e9 separado de seu lado maligno destrutivo e explorador, que deve ser combatido e que recebe o nome de \u201cimperialismo\u201d. Esse \u00faltimo (o capitalismo de desenvolvimento desigual) deve ser combatido pelos movimentos de liberta\u00e7\u00e3o nacional, que no processo estabelecer\u00e3o os Estados-Na\u00e7\u00e3o modernos que constituem o ambiente natural para o desenvolvimento do capitalismo na sua forma progressiva. Essa concep\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo, reflete e interpreta mal a dial\u00e9tica marxista entre capitalismo e progresso, privando-a do seu car\u00e1ter dial\u00e9tico: a posi\u00e7\u00e3o de Marx segundo a qual o movimento oper\u00e1rio deve explorar o processo hist\u00f3rico contradit\u00f3rio de desenvolvimento capitalista, atualmente em evolu\u00e7\u00e3o, est\u00e1 muito longe da posi\u00e7\u00e3o bolchevique de que o processo de desenvolvimento capitalista deve ser organizado e promovido pelo movimento prolet\u00e1rio, atrav\u00e9s da revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e da ditadura do partido.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">Segundo as chamadas teorias \u201cmarxistas-leninistas\u201d do imperialismo e do capitalismo monopolista de Estado, as grandes empresas monopolistas se fundem com o Estado, resultando na forma\u00e7\u00e3o de uma \u201c\u00fanica economia capitalista nacional\u201d. Uma vez que a forma de produ\u00e7\u00e3o monopolista suprime a obriga\u00e7\u00e3o de os capitalistas individuais aumentarem os seus lucros atrav\u00e9s do desenvolvimento das for\u00e7as produtivas do trabalho, a \u00fanica coisa que importa aos monop\u00f3lios estatais no mercado mundial \u00e9 a luta por esferas de produ\u00e7\u00e3o politicamente seguras e pela realiza\u00e7\u00e3o de lucros monopolistas extraordin\u00e1rios. A estagna\u00e7\u00e3o da fase monopolista do capitalismo imp\u00f5e uma esp\u00e9cie de antagonismo no mercado mundial, que assume a forma de guerra e o seu conte\u00fado \u00e9 a \u201cdivis\u00e3o do mundo entre as grandes pot\u00eancias\u201d.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">No entanto, o Estado, qualquer Estado, por maior ou menor que seja, tem como caracter\u00edstica estrutural a tend\u00eancia a se expandir espacial e\/ou economicamente. Esse \u00e9 o componente b\u00e1sico do nacionalismo, que pode ser encontrado desde o in\u00edcio da era dos Estados-na\u00e7\u00f5es e n\u00e3o \u00e9 uma caracter\u00edstica particular do Estado na fase do imperialismo, como est\u00e1 impl\u00edcito. Al\u00e9m disso, o capitalismo n\u00e3o teve de chegar a uma fase \u201cespecial\u201d, \u201cavan\u00e7ada\u201d ou \u201c\u00faltima\u201d para come\u00e7ar a \u201cdividir o mundo\u201d \u2013 e aqui estamos nos referindo a rivalidades entre Estados e n\u00e3o a uma alegada conspira\u00e7\u00e3o para anular a concorr\u00eancia capitalista. Pelo contr\u00e1rio, a luta pela \u201cdivis\u00e3o do mundo\u201d n\u00e3o tem nada de especificamente capitalista; foi o conte\u00fado do conflito entre reinos e imp\u00e9rios antes da ascens\u00e3o do capitalismo e continuou durante a sua ascens\u00e3o, mesmo durante o chamado per\u00edodo de \u201clivre com\u00e9rcio\u201d que precedeu a chamada \u201cfase imperialista\u201d, quando o imp\u00e9rio brit\u00e2nico reinava supremo.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">Aceitar total ou parcialmente as posi\u00e7\u00f5es leninistas sobre o imperialismo conduz necessariamente a concep\u00e7\u00f5es problem\u00e1ticas e enganosas:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">1. Uma das for\u00e7as motrizes do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista \u00e9 a competi\u00e7\u00e3o entre os capitais em sua busca pelo lucro m\u00e1ximo (a outra \u00e9 a luta de classes). Os monop\u00f3lios existem e, para Marx, surgem tanto \u201cnaturalmente\u201d no modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, na medida em que o processo de reprodu\u00e7\u00e3o expandido do capital \u00e9 um processo de concentra\u00e7\u00e3o e centraliza\u00e7\u00e3o do capital, quanto \u201cartificialmente\u201d, por exemplo, no caso da propriedade de recursos monopolizados (que podem variar desde patentes tecnol\u00f3gicas at\u00e9 \u00e0 propriedade de terrenos de alto rendimento). Para Marx, no entanto, isso n\u00e3o abole de modo algum a concorr\u00eancia e, por consequ\u00eancia, a \u201clei do valor\u201d. A equaliza\u00e7\u00e3o da taxa de lucro entre as empresas n\u00e3o deve ser entendida como o estabelecimento de um equil\u00edbrio est\u00e1vel em que todas as empresas atingem a mesma taxa de lucro, mas como uma situa\u00e7\u00e3o de movimento constante de capitais que atingem diferentes taxas de lucro tanto dentro da mesma ind\u00fastria como entre diferentes ind\u00fastrias, em que a taxa m\u00e9dia de lucro \u00e9 apenas um \u201ccentro de gravidade\u201d em torno do qual as diferentes taxas se movem. Ao mostrar no terceiro volume de O Capital que as pr\u00e1ticas de fixa\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os (bem como os n\u00edveis vari\u00e1veis de excesso de capacidade) s\u00e3o consistentes com a lei do valor, Marx salienta que, no sistema capitalista, a produtividade do trabalho e a taxa de explora\u00e7\u00e3o s\u00e3o os reguladores finais do processo de acumula\u00e7\u00e3o de capital. O monop\u00f3lio s\u00f3 pode ser entendido como uma forma particular de apar\u00eancia da concorr\u00eancia. Ele n\u00e3o pode escapar \u00e0 concorr\u00eancia porque os objetivos de cada capital \u2013 alcan\u00e7ar o maior lucro poss\u00edvel \u2013 est\u00e3o em conflito com os objetivos de qualquer outro capital, devido ao fato de a massa de mais-valor do capital total ser quantitativamente limitada, tal como as bases da produ\u00e7\u00e3o de mais-valor em termos de valor de uso (massa da for\u00e7a de trabalho, dura\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, intensidade do trabalho, for\u00e7a produtiva do trabalho) s\u00e3o limitadas. Os lucros monopolistas n\u00e3o podem ser absolutos. Tamb\u00e9m n\u00e3o podem ser permanentes, pois isso implicaria que a concorr\u00eancia do capital por um maior retorno do investimento (movimentos de capital entre diferentes setores devido a diferen\u00e7as nas taxas de lucro) seria eliminada. Pelo contr\u00e1rio, Hilferding e L\u00eanin, que consideravam os monop\u00f3lios como a anula\u00e7\u00e3o da concorr\u00eancia, adotam efetivamente o conceito econ\u00f4mico vulgar de \u201cconcorr\u00eancia perfeita\u201d contra a qual se op\u00f5e o \u201cmercado monopolista\u201d.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">2. Uma vez que o capital \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o social, a no\u00e7\u00e3o de sua \u201cexporta\u00e7\u00e3o\u201d dos pa\u00edses fortes para os pa\u00edses fracos \u00e9 uma enorme distor\u00e7\u00e3o, o que leva a ideologias sobre \u201cimp\u00e9rio\u201d, \u201ccentros transnacionais de poder\u201d, etc., que obscurecem e mistificam o advers\u00e1rio de classe e, em \u00faltima an\u00e1lise, agem como um impedimento para o desenrolar da luta de classes do proletariado contra, em primeiro lugar, os patr\u00f5es capitalistas dom\u00e9sticos. Com efeito, est\u00e1 impl\u00edcito que, \u00e0 medida que os capitais individuais que atravessam as fronteiras mant\u00eam a sua nacionalidade, a sua concorr\u00eancia com os capitais nacionais substitui ou mesmo \u00e9 equiparada \u00e0 luta de classes, que \u00e9 assim paradoxalmente transformada numa luta entre na\u00e7\u00f5es, conduzida por sujeitos nacionais interclassistas. Desenvolve-se o equ\u00edvoco de que a classe oper\u00e1ria e a burguesia de um pa\u00eds exploram em conjunto os seus hom\u00f3logos de outros pa\u00edses. Michael Heinrich escreve o seguinte sobre a quest\u00e3o: \u201c\u2026 a caracteriza\u00e7\u00e3o do imperialismo como \u2018parasita\u2019 \u00e9 problem\u00e1tica n\u00e3o apenas devido ao tom moralista, mas tamb\u00e9m porque n\u00e3o \u00e9 facilmente aparente o motivo pelo qual a explora\u00e7\u00e3o de uma classe trabalhadora estrangeira deveria ser pior do que a explora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora dom\u00e9stica. O que L\u00eanin pretendia enquanto continuador da an\u00e1lise de Marx, em \u00faltima inst\u00e2ncia, n\u00e3o tem quase nada a ver com a cr\u00edtica de Marx \u00e0 economia pol\u00edtica\u201d.<\/p>\n<p><strong>Teoria da Depend\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">Um desenvolvimento da teoria do imperialismo de Hilferding e de L\u00eanin foi a chamada \u201cteoria da depend\u00eancia\u201d, formulada nas d\u00e9cadas de 1960 e 1970 por v\u00e1rios te\u00f3ricos como Samir Amin e Andre Gunder Frank. A teoria introduziu a no\u00e7\u00e3o da divis\u00e3o da economia mundial em tr\u00eas zonas conforme o n\u00edvel de desenvolvimento capitalista: centro, semiperiferia, periferia.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">Segundo a teoria da depend\u00eancia, o mais-valor \u00e9 transferido dos pa\u00edses perif\u00e9ricos para os pa\u00edses do centro. Os pa\u00edses da periferia s\u00e3o mantidos num estado permanente de subdesenvolvimento, a fim de servir aos interesses do capital monopolista proveniente dos pa\u00edses do centro. Isso permite que o capital monopolista estrangeiro explore a periferia sem a concorr\u00eancia do capital local.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">Dessa forma, \u00e9 introduzido o conceito (n\u00e3o marxista) de explora\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses da periferia pelos pa\u00edses do centro. A teoria da depend\u00eancia conduz n\u00e3o s\u00f3 a uma nova categoriza\u00e7\u00e3o dos Estados, mas tamb\u00e9m a uma nova categoriza\u00e7\u00e3o das classes sociais em cada pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">Assim, tanto a classe oper\u00e1ria como a burguesia do centro distinguem-se da classe oper\u00e1ria e da burguesia da periferia. De fato, segundo a teoria da depend\u00eancia, a classe oper\u00e1ria da periferia pode aliar-se \u00e0 burguesia correspondente no interior de uma frente anti-imperialista comum, tal como a classe oper\u00e1ria do centro pode aliar-se \u00e0 burguesia correspondente a favor da pol\u00edtica imperialista do Estado a que pertence.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">O erro da teoria da depend\u00eancia \u00e9 que ela implica uma teoria instrumentalista do Estado. O Estado apresenta-se como uma entidade pol\u00edtica independente das rela\u00e7\u00f5es sociais capitalistas, que pode ser utilizado pelo capital monopolista para servir aos seus interesses particulares, ou por uma alian\u00e7a de classe de entre trabalhadores e capitalistas nos pa\u00edses perif\u00e9ricos que promover\u00e1 pol\u00edticas de desenvolvimento e, assim, se aproximar\u00e1 do socialismo. Por conseguinte, para al\u00e9m de uma teoria instrumentalista do Estado, a teoria da depend\u00eancia implica a aceita\u00e7\u00e3o da teoria dos est\u00e1gios em dire\u00e7\u00e3o ao comunismo. Em nossa opini\u00e3o, o Estado \u00e9 a forma pol\u00edtica das rela\u00e7\u00f5es sociais capitalistas: um Estado capitalista. Nesse sentido, todo Estado serve \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais capitalistas como uma totalidade. Isto n\u00e3o significa, naturalmente, que todo Estado-na\u00e7\u00e3o sirva \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o do capital global em geral. Os Estados est\u00e3o em competi\u00e7\u00e3o (mas tamb\u00e9m em coopera\u00e7\u00e3o) entre si, a fim de atrair o capital global para dentro das suas fronteiras nacionais e, assim, manter e expandir a sua quota de mais-valor global. Isto implica, simultaneamente, a cria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es para a reprodu\u00e7\u00e3o expandida do capital dentro das fronteiras do Estado e o refor\u00e7o da acumula\u00e7\u00e3o baseada na explora\u00e7\u00e3o do trabalho dentro das fronteiras de outros Estados-na\u00e7\u00f5es. Obviamente, nem todos os Estados t\u00eam as mesmas possibilidades de escolha no que diz respeito \u00e0s estrat\u00e9gias de acumula\u00e7\u00e3o que podem adotar.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">Raz\u00f5es hist\u00f3ricas e o \u00eaxito ou fracasso da estrat\u00e9gia de acumula\u00e7\u00e3o de cada Estado se refletem no desenvolvimento desigual e na forma\u00e7\u00e3o de uma hierarquia de Estados capitalistas em constante evolu\u00e7\u00e3o: a forma\u00e7\u00e3o de um \u201ccentro\u201d capitalista e de uma \u201cperiferia\u201d capitalista. Neste sentido, todo Estado \u00e9 imperialista, uma vez que a ess\u00eancia do imperialismo n\u00e3o \u00e9 o capital monopolista, mas o processo competitivo de reprodu\u00e7\u00e3o do capital total. Al\u00e9m de estar errada, a teoria da depend\u00eancia conduz politicamente \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o de classes e ao aprofundamento das divis\u00f5es nacionais no seio do proletariado global.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">Se aceitarmos os conceitos da \u201cteoria da depend\u00eancia\u201d, acabaremos por ter dificuldades para compreender a realidade. Ter\u00edamos de aceitar que o desmembramento da Iugosl\u00e1via, por exemplo, se deveu inteiramente \u00e0 influ\u00eancia de pot\u00eancias estrangeiras e n\u00e3o \u00e0 din\u00e2mica de conflito entre nacionalismos e capitais concorrentes nos Estados Federais constituintes. Ter\u00edamos de aceitar que todas as guerras que eclodem s\u00e3o entre Estados fantoches que t\u00eam sempre grandes poderes e os seus interesses por detr\u00e1s deles. Que as revoltas nos pa\u00edses em desenvolvimento s\u00e3o instigadas, sem que os trabalhadores, os habitantes, as classes dominantes dos respectivos pa\u00edses desempenhem qualquer papel. A luta de classes desaparece.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">Al\u00e9m disso, o car\u00e1ter contradit\u00f3rio dessa teoria pode ser detectado se forem examinados os esfor\u00e7os dos pa\u00edses fracos para se juntarem a organiza\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas transnacionais como a UE, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio, etc. A conclus\u00e3o \u00f3bvia \u00e9 que essas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o existem apenas para servir aos interesses do capital de Estados poderosos. Seu objetivo \u00e9 o interesse do capital em geral, ou seja, de cada classe dominante, seja albanesa ou alem\u00e3, em sua luta para explorar a classe trabalhadora. A riqueza e a acumula\u00e7\u00e3o de capital prov\u00eam da explora\u00e7\u00e3o do trabalho e n\u00e3o primariamente da pilhagem de pa\u00edses fracos.<\/p>\n<p><strong>Anti-imperialismo<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">As teorias do imperialismo ocuparam um lugar central nas an\u00e1lises de grande parte do movimento classista. Como o imperialismo \u00e9 o est\u00e1gio superior do capitalismo, a luta anticapitalista tamb\u00e9m teve que ser transformada em uma luta anti-imperialista, que gradualmente se tornou uma ideologia central (no sentido de falsa consci\u00eancia).<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">Em vez de revelar os antagonismos de classe dentro das sociedades, o que prevalece \u00e9 a mobiliza\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o contra os imperialistas do mal. Normalmente, a pol\u00edtica anti-imperialista limita-se a opor-se ao grande capital ou \u00e0s multinacionais dos grandes pa\u00edses capitalistas, dando um \u00e1libi aos pequenos ou grandes patr\u00f5es dom\u00e9sticos, classificados como oprimidos.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">\u201cO problema, ent\u00e3o, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 que o capitalismo atingiu todos os cantos remotos do planeta e sufocou todos os campos da atividade humana, transformando tudo o que toca em mercadoria. O problema para os anti-imperialistas \u00e9 que a expans\u00e3o capitalista est\u00e1 sendo implementada de forma desigual e assim\u00e9trica, que em alguns Estados poderosos o capitalismo se estabelece enquanto em outros \u2013 os dependentes \u2013 \u00e9 estrangulado e incapaz de se desenvolver suficientemente. S\u00f3 podemos exclamar com surpresa: e da\u00ed? Nos pa\u00edses \u2018dependentes\u2019 n\u00e3o existem ainda mercadorias e trabalho assalariado; n\u00e3o \u00e9 verdade que l\u00e1, assim como nas \u2018pot\u00eancias imperialistas\u2019, alguns det\u00eam os meios de produ\u00e7\u00e3o e alguns t\u00eam apenas a sua pr\u00f3pria for\u00e7a de trabalho para vender, alguns d\u00e3o ordens e outros s\u00e3o obrigados a obedecer? N\u00e3o prevalecem as mesmas rela\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o, e possivelmente de forma ainda mais dura? N\u00e3o prevalece o mesmo fetichismo da mercadoria como tamb\u00e9m prevalece nos pa\u00edses desenvolvidos? Ou ser\u00e1 que as pessoas l\u00e1 ganharam controle sobre as suas vidas e ningu\u00e9m se deu ao trabalho de nos informar?\u201d<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">A oposi\u00e7\u00e3o ao anti-imperialismo vai em paralelo com a oposi\u00e7\u00e3o ao nacionalismo, pois a ideologia anti-imperialista funciona como um meio de inscrever a ideologia nacional nos movimentos radicais que reivindicam a emancipa\u00e7\u00e3o humana contra todos os tipos de opress\u00e3o. Os movimentos anti-imperialistas e de liberta\u00e7\u00e3o nacional s\u00e3o os principais mecanismos para subordinar as exig\u00eancias e aspira\u00e7\u00f5es de mudan\u00e7a social, liberdade, emancipa\u00e7\u00e3o e comunismo ao capital e seu Estado e, consequentemente, para neutraliz\u00e1-los e elimin\u00e1-los eficazmente atrav\u00e9s da sua aliena\u00e7\u00e3o e da sua transforma\u00e7\u00e3o em movimentos que reivindicam direitos do Estado capitalista e todos os tipos de pol\u00edticas identit\u00e1rias.<\/p>\n<p><strong>Guerra Capitalista Significa Paz Social<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">\u201cEstamos agora perante o fato irrevog\u00e1vel da guerra. Somos amea\u00e7ados pelos horrores da invas\u00e3o. A decis\u00e3o, hoje, n\u00e3o \u00e9 a favor ou contra a guerra; para n\u00f3s, s\u00f3 pode haver uma pergunta: por que meios esta guerra deve ser conduzida? Muito, sim, tudo, est\u00e1 em jogo para o nosso povo e para o seu futuro, se o despotismo russo, manchado com o sangue do seu pr\u00f3prio povo, for o vencedor. Esse perigo deve ser evitado, a civiliza\u00e7\u00e3o e a independ\u00eancia do nosso povo devem ser salvaguardadas. Portanto, cumpriremos o que sempre prometemos: na hora do perigo, n\u00e3o abandonaremos a nossa p\u00e1tria. Nisto sentimos que estamos em harmonia com a Internacional, que sempre reconheceu o direito de cada povo \u00e0 sua independ\u00eancia nacional, ao mesmo tempo que concordamos com a Internacional em denunciar enfaticamente todas as guerras de conquista. Impulsionados por estes motivos, votamos a favor dos cr\u00e9ditos de guerra exigidos pelo Governo\u201d. E foi assim que o Partido Social-Democrata da Alemanha enviou em 1914 o proletariado alem\u00e3o para o massacre da Primeira Guerra Mundial.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">Alguns dias antes, um nacionalista franc\u00eas assassinara Jean Jaur\u00e8s, um l\u00edder pacifista e antimilitarista do Partido Socialista Franc\u00eas, que tentava organizar uma greve geral franco-alem\u00e3 contra a guerra que se aproximava e uma greve geral francesa no caso de a Fran\u00e7a declarar guerra. Na ora\u00e7\u00e3o f\u00fanebre proferida pelo dirigente da Confedera\u00e7\u00e3o Geral do trabalho (CGT), L\u00e9on Jouhaux, que era contra a declara\u00e7\u00e3o de greve e a favor da participa\u00e7\u00e3o na guerra, disse \u2013 entre outras coisas \u2013 que: \u201cperante este caix\u00e3o grito o nosso \u00f3dio ao imperialismo e ao militarismo grosseiro que provocaram este crime horrendo\u2026 todos os trabalhadores\u2026 entramos em campo com a determina\u00e7\u00e3o de repelir o agressor\u201d.\u00a0Com o desaparecimento de Jaur\u00e8s e qualquer influ\u00eancia que pudesse ter exercido em meio a um surto nacionalista, os socialistas no Parlamento decidiram suspender qualquer atividade que sabotasse a m\u00e1quina de guerra nacional, enviando com suas b\u00ean\u00e7\u00e3os o proletariado franc\u00eas para a matan\u00e7a da Primeira Guerra Mundial.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">O interessante \u00e9 que, tanto na Alemanha como na Fran\u00e7a, os dirigentes da classe oper\u00e1ria organizada evocaram a \u201cinvas\u00e3o\u201d para capitular perante a burguesia do seu pa\u00eds. Mas o mesmo apelo \u00e9 feito tamb\u00e9m pela burguesia sempre que quer impor a unidade nacional no contexto de um conflito militar. A guerra nacional apresenta-se sempre como uma a\u00e7\u00e3o defensiva contra os invasores, independentemente da forma que assumam. E para uma guerra vitoriosa\u00a0<em>a paz social deve prevalecer.<\/em><\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">Na Alemanha, durante a Primeira Guerra Mundial, esse pacto de coopera\u00e7\u00e3o de classe foi denominado\u00a0<em>Burgfrieden<\/em>\u00a0(traduzido livremente como: \u201ca paz reina no castelo\u201d), enquanto na Fran\u00e7a era chamado\u00a0<em>Union Sacr\u00e9e<\/em>. Em ambos os casos, os sindicatos e os partidos social-democratas declararam um armist\u00edcio em defesa da p\u00e1tria, prometendo que nenhuma a\u00e7\u00e3o industrial seria empreendida e que nenhuma exig\u00eancia seria feita pela classe trabalhadora at\u00e9 o fim da guerra. Isso foi, naturalmente, acompanhado pela lei marcial e censura severa, uma vez que qualquer cr\u00edtica ao governo, \u00e0 guerra ou ao pr\u00f3prio pacto de colabora\u00e7\u00e3o de classe era estritamente proibida pelo cano de uma arma. Nesse contexto, Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht foram presos de 1916 at\u00e9 o fim da guerra.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-18542\" src=\"https:\/\/criticadesapiedada.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/union_sacree.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" srcset=\"https:\/\/criticadesapiedada.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/union_sacree.jpg 750w, https:\/\/criticadesapiedada.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/union_sacree-300x181.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"452\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\"><em>Cart\u00e3o postal de propaganda que promove a Uni\u00e3o Sagrada na Fran\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">O mesmo caminho de colabora\u00e7\u00e3o de classe foi seguido pela maioria dos partidos social-democratas e sindicatos dos pa\u00edses envolvidos na guerra. As exce\u00e7\u00f5es foram os bolcheviques; o Partido Socialista Italiano; o Partido Socialista S\u00e9rvio; o Partido Socialista B\u00falgaro; o Partido Socialista da Bulg\u00e1ria; o Partido Socialista dos EUA; o grupo internacional fundado por Luxemburgo, Liebknecht, Clara Zetkin e Franz Mehring; e a organiza\u00e7\u00e3o multi\u00e9tnica dos trabalhadores Federaci\u00f3n de Thessaloniki. Naquela \u00e9poca, n\u00e3o havia partido socialista na Gr\u00e9cia. O Partido Socialista dos Trabalhadores da Gr\u00e9cia foi fundado em 1918 e em 1924 foi renomeado como Partido Comunista da Gr\u00e9cia. A Federaci\u00f3n era a parte otomana da Segunda Internacional desde 1911 e, com a eclos\u00e3o da Grande Guerra, manteve uma posi\u00e7\u00e3o internacionalista e antiguerra.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">De qualquer forma, a Segunda Internacional entrou em colapso. Isso significou que milh\u00f5es de prolet\u00e1rios foram incitados pelas suas pr\u00f3prias organiza\u00e7\u00f5es, que deveriam representar os seus interesses de classe, a tornarem-se presas para os canh\u00f5es dos capitalistas: 10 milh\u00f5es de soldados mortos e 20 milh\u00f5es de feridos, metade deles aleijados para sempre; 10 milh\u00f5es de civis mortos por bombardeios, fome e doen\u00e7as. Um enorme matadouro de seres humanos\u2026<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">Obviamente, a Segunda Internacional n\u00e3o era um todo unificado. Havia uma ala direita com representantes como Ebert (que mais tarde se tornaria presidente da Alemanha quando Luxemburgo e Liebknecht foram assassinados), o centro com reformistas como Kautsky e a ala esquerda revolucion\u00e1ria com figuras importantes como Luxemburgo e L\u00eanin. Somente essa tend\u00eancia de esquerda preservou o internacionalismo prolet\u00e1rio que deveria inspirar toda a Segunda Internacional. Os restantes juntaram-se \u00e0 batalha ao lado dos patr\u00f5es para romper qualquer v\u00ednculo prolet\u00e1rio que pudesse p\u00f4r em perigo os planos imperialistas da burguesia (camuflados como \u201cposi\u00e7\u00e3o defensiva\u201d). Naturalmente, se pode dizer que isso n\u00e3o era algo inesperado da sua parte. Em todo o caso, a colabora\u00e7\u00e3o de classe fazia provavelmente parte do seu programa reformista.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">Mas, al\u00e9m disso, havia na pr\u00f3pria Segunda Internacional uma posi\u00e7\u00e3o que, mais cedo ou mais tarde, faria fracassar quaisquer pretens\u00f5es ao internacionalismo prolet\u00e1rio. Como vimos acima, na cita\u00e7\u00e3o dos social-democratas alem\u00e3es, a parte da Internacional que se alistou na guerra capitalista argumentou que n\u00e3o violava nenhum dos princ\u00edpios da Internacional, uma vez que defendia o direito dos povos \u00e0 independ\u00eancia nacional e \u00e0 autodefesa. Da\u00ed a persistente conversa de \u201cinvas\u00e3o\u201d, mesmo por parte dos alem\u00e3es, embora tenha sido a Alemanha que formalmente invadiu a Fran\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">J\u00e1 a partir do final do s\u00e9culo XIX, o movimento oper\u00e1rio organizado apoiou os movimentos de liberta\u00e7\u00e3o nacional, por um lado, porque eles eram considerados uma for\u00e7a modernizadora, no sentido de promover o desenvolvimento do capitalismo como uma etapa necess\u00e1ria para o socialismo, e, por outro lado, porque, embora tivessem caracter\u00edsticas burguesas, envolviam grandes setores do proletariado que poderiam criar uma perspectiva socialista acelerando o colapso do capitalismo. Um exemplo foi o movimento de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional da Pol\u00f4nia (a Pol\u00f4nia estava dividida entre os imp\u00e9rios alem\u00e3o, austro-h\u00fangaro e russo), o que levou \u00e0 divis\u00e3o do Partido Socialista Polon\u00eas (1894) entre a ala patri\u00f3tica de direita e a ala internacionalista de esquerda. \u00c0 semelhan\u00e7a de 1914, a l\u00edder da tend\u00eancia internacionalista prolet\u00e1ria era Rosa Luxemburgo, que, juntamente com os seus camaradas, promovia a solidariedade de classe entre os trabalhadores poloneses e russos, a perspectiva socialista e a luta universal contra o capitalismo, alertando que a quest\u00e3o de classe n\u00e3o deveria ser enterrada sob a nacional, uma vez que, afinal, a independ\u00eancia nacional da Pol\u00f4nia n\u00e3o era do interesse de ningu\u00e9m al\u00e9m da sua burguesia. Por causa dessa posi\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria consistente, eles foram difamados dentro da Segunda Internacional pela ala patri\u00f3tica de direita do partido polon\u00eas como \u201cagentes policiais\u201d e \u201cgangue nefasta\u201d!<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">Mais de um s\u00e9culo depois desses acontecimentos e da Primeira Guerra Mundial, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que os movimentos de liberta\u00e7\u00e3o nacional e as guerras nacionais n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o servem os interesses prolet\u00e1rios, como os aniquilam, uma vez que o proletariado est\u00e1 de fato alinhado com a burguesia, seja visando estabelecer um novo Estado-na\u00e7\u00e3o \u201cindependente\u201d, ou buscando defender um Estado-na\u00e7\u00e3o \u201cindependente\u201d existente. O termo \u201cindependente\u201d \u00e9 colocado entre aspas, porque, no contexto dos antagonismos interimperialistas capitalistas, cada Estado-na\u00e7\u00e3o est\u00e1 ligado \u00e0s rodas das carruagens de uma ou outra pot\u00eancia imperialista mais forte. Assim, os EUA, por exemplo, podem dar o seu fervoroso apoio a um movimento de liberta\u00e7\u00e3o nacional em conson\u00e2ncia com os seus pr\u00f3prios interesses e lutar ferozmente contra outro apoiado pela R\u00fassia, e vice-versa.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">A cria\u00e7\u00e3o de Estados-na\u00e7\u00f5es \u00e9 um epis\u00f3dio bastante recente na hist\u00f3ria da ascens\u00e3o do capitalismo.\u00a0Poder\u00edamos dizer que o nexo de Estados-na\u00e7\u00f5es do mundo moderno e os antagonismos entre eles \u00e9 uma forma de exist\u00eancia do capital social total. Qualquer participa\u00e7\u00e3o ativa do proletariado nesses antagonismos nacionalistas apenas reproduz a sua posi\u00e7\u00e3o de classe explorada sob o dom\u00ednio do capital. Nunca nenhum prolet\u00e1rio foi emancipado por meio de uma guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional; pelo contr\u00e1rio, todas as guerras de liberta\u00e7\u00e3o nacional abriram caminho para a consolida\u00e7\u00e3o de uma nova elite burguesa com caracter\u00edsticas nacionais e um programa capitalista (mesmo que houvessem \u201crevolucion\u00e1rios\u201d e \u201cher\u00f3is\u201d do movimento de liberta\u00e7\u00e3o nacional nas suas fileiras). Portanto, a autoemancipa\u00e7\u00e3o do proletariado exigiria a elimina\u00e7\u00e3o de todos os elementos nacionalistas, tudo o que parece lig\u00e1-lo a uma \u201cp\u00e1tria\u201d, ou seja, teria de se voltar contra os seus exploradores, presentes e aspirantes, e transformar imediatamente a guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional em guerra de classes. Deve esmagar em pedacinhos a paz social, que \u00e9 um complemento indispens\u00e1vel \u00e0 guerra capitalista.<\/p>\n<p><strong>O c\u00edrculo militarista \u2013 A\u2019s<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">Ap\u00f3s a eclos\u00e3o da guerra na Ucr\u00e2nia, n\u00e3o demorou muito para surgirem alguns textos de anarquistas ucranianos, declarando que pegaram em armas para defender a Ucr\u00e2nia e o povo ucraniano contra a R\u00fassia, que \u201ctem um plano de longo prazo para destruir a democracia na Europa\u201d. Eles at\u00e9 chamaram as pessoas para apoi\u00e1-los financeiramente, para lhes enviarem armas (!), mas tamb\u00e9m para se juntar \u00e0 \u201cLegi\u00e3o Internacional das For\u00e7as de Defesa Territorial\u201d, criada pelo pr\u00f3prio Zelensky, contra o imperialismo russo. Na verdade, o que eles formaram \u00e9 uma unidade militar regular, como todas as outras, totalmente integrada no Ex\u00e9rcito Nacional da Ucr\u00e2nia no \u00e2mbito das For\u00e7as de Defesa Territoriais da Ucr\u00e2nia Esses textos de propaganda, acompanhados das necess\u00e1rias fotos heroicas de alguns homens fortemente armados agitando bandeiras anarquistas, se espalharam como fogo por todas as redes sociais e m\u00eddias ocidentais, tanto mainstream quanto relacionadas ao movimento antag\u00f4nico. \u00c9 claro que isso \u00e9 algo de se esperar: qualquer coisa que promova o nacionalismo, mesmo que se origine de anarquistas, qualquer coisa que incentive a ades\u00e3o a um dos dois lados em uma guerra nacional, n\u00e3o \u00e9 apenas leg\u00edtima para o capital e seu Estado, mas \u00e9 a \u00fanica posi\u00e7\u00e3o aceit\u00e1vel.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">Mas o que aconteceu na Ucr\u00e2nia enquanto esses anarquistas t\u00eam lutado ao lado das for\u00e7as armadas nacionais da Ucr\u00e2nia \u201cdefendendo a liberdade de todos n\u00f3s\u201d? Em primeiro lugar, a lei marcial foi decretada: isso significa que as leis que protegem os trabalhadores e a sua representa\u00e7\u00e3o pelos sindicatos foram amplamente suspensas, permitindo demiss\u00f5es em massa e suspens\u00f5es de trabalho, a extens\u00e3o da jornada de trabalho de 40 para 60 horas, o cancelamento unilateral de acordos coletivos pelos patr\u00f5es, o n\u00e3o pagamento de sal\u00e1rios, a mudan\u00e7a obrigat\u00f3ria do objeto de trabalho segundo as necessidades militares do Estado, a redu\u00e7\u00e3o de f\u00e9rias, etc. Nesse contexto, centenas de empresas na Ucr\u00e2nia suspenderam unilateralmente, no todo ou em parte, os acordos coletivos que estavam em vigor at\u00e9 o in\u00edcio da guerra, em especial as cl\u00e1usulas relativas \u00e0s atividades sindicais, benef\u00edcios sociais, condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a e jornada de trabalho. Entre essas empresas est\u00e3o a ArcelorMittal, a maior sider\u00fargica do pa\u00eds; a central nuclear de Chernobyl; a Companhia Ferrovi\u00e1ria Nacional da Ucr\u00e2nia; o porto de Odessa e o metro de Kiev. Sob a lei marcial, greves e manifesta\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m s\u00e3o proibidas, e todos os homens entre 18 e 60 anos s\u00e3o proibidos de deixar o pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">A destrui\u00e7\u00e3o de capital constante e vari\u00e1vel devido \u00e0 guerra \u00e9, portanto, acompanhada de disposi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis para os patr\u00f5es nos locais de trabalho. N\u00e3o \u00e9 por acaso que o governo de Zelensky trouxe, no meio da guerra, uma lei para aprova\u00e7\u00e3o do Parlamento que imp\u00f5e a completa desregulamenta\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho, que ele tentava aprovar desde abril de 2021. Naquele momento, a lei n\u00e3o havia sido aprovada devido \u00e0s rea\u00e7\u00f5es dos sindicatos e da oposi\u00e7\u00e3o. Mas agora o governo da Ucr\u00e2nia livrou-se dos v\u00e1rios obst\u00e1culos, como o poder de barganha dos trabalhadores ou a exist\u00eancia da oposi\u00e7\u00e3o, e conseguiu impor a paz social atrav\u00e9s da guerra. A referida lei, que est\u00e1 inserida no quadro ideol\u00f3gico geral da \u201cdesovietiza\u00e7\u00e3o\u201d, foi aprovada no ver\u00e3o de 2022 por meio de um r\u00e1pido processo parlamentar. O n\u00facleo central desse ataque ao proletariado ucraniano \u00e9 que os trabalhadores das pequenas e m\u00e9dias empresas at\u00e9 250 trabalhadores deixar\u00e3o de ser abrangidos por acordos coletivos de trabalho, mas celebrar\u00e3o contratos individuais com os capitalistas correspondentes, sem gozarem de qualquer prote\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o laboral. Isto significa que mais de 70% da for\u00e7a de trabalho ucraniana ter\u00e1 contratos individuais, um desenvolvimento que acabar\u00e1 por conduzir \u00e0 desvaloriza\u00e7\u00e3o total da for\u00e7a de trabalho da maior parte do proletariado do pa\u00eds. A \u00fanica coisa que poderia parar este processo seria uma rebeli\u00e3o em massa contra a lei marcial, ou seja, a ruptura da paz social, que provavelmente seria contestada pelos anarquistas nacionalistas, uma vez que, se tivessem aspirado a tal evento, nunca teriam aderido voluntariamente ao ex\u00e9rcito ucraniano nem teriam propagandeado essa posi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o importa o quanto eles possam apelar para Kropotkin\u00a0ou Bakunin (ou mesmo Makhno!), a sua participa\u00e7\u00e3o ativa na guerra capitalista \u00e9 dirigida diretamente contra os interesses prolet\u00e1rios.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">No outro campo, somos confrontados com os apoiadores ocidentais de Putin de esquerda que defendem a invas\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia. Usando a ideologia reacion\u00e1ria do antiamericanismo e a narrativa anti-OTAN como ve\u00edculo, defendem as opera\u00e7\u00f5es militares e o nacionalismo da R\u00fassia, uma forma\u00e7\u00e3o nacional capitalista que, como qualquer outra forma\u00e7\u00e3o desse tipo, baseia a sua exist\u00eancia e reprodu\u00e7\u00e3o na explora\u00e7\u00e3o da maior parte da sua popula\u00e7\u00e3o: o proletariado. S\u00e3o inimigos t\u00e3o odiosos do movimento prolet\u00e1rio que at\u00e9 se voltaram contra a recente insurrei\u00e7\u00e3o no Ir\u00e3 ap\u00f3s o assassinato de Mahsa Amini pela pol\u00edcia, alegando que foi instigada pelos estadunidenses. Apoiam ativamente qualquer a\u00e7ougueiro, desde que se qualifique como antiestadunidense, voltando-se contra os interesses prolet\u00e1rios, exatamente como os anarquistas ucranianos acima mencionados. Sua suposta preocupa\u00e7\u00e3o, como esquerda, com a classe trabalhadora \u00e9 simplesmente uma mentira, uma vez que apoiam abertamente a oblitera\u00e7\u00e3o de seu poder e de sua pr\u00f3pria exist\u00eancia \u2013 como um dos dois polos antag\u00f4nicos dentro do capitalismo e como capital vari\u00e1vel \u2013 atrav\u00e9s de seu envolvimento ativo nas guerras interimperialistas.<\/p>\n<p><strong>No matadouro da guerra capitalista, estamos sempre do lado dos desertores<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">\u201cN\u00e3o queremos fugir\u201d, dizem os anarquistas ucranianos que aderiram \u00e0s For\u00e7as de Defesa Territoriais do pa\u00eds. Ao mesmo tempo, segundo fontes oficiais, cerca de 7 milh\u00f5es de pessoas fugiram do pa\u00eds desde o in\u00edcio da guerra. Principalmente mulheres e crian\u00e7as, uma vez que \u00e9 proibido homens deixarem o pa\u00eds. O fato de o Estado ter imposto a lei marcial que pro\u00edbe a sa\u00edda do pa\u00eds, o recrutamento obrigat\u00f3rio e o controle constante das fronteiras mostra, pelo menos, que uma propor\u00e7\u00e3o significativa de homens entre os 18 e os 60 anos n\u00e3o deseja ser mo\u00edda na m\u00e1quina de guerra nacionalista. Muitos tentaram atravessar a fronteira escondidos em malas, caixas, ba\u00fas e at\u00e9 vestidos de mulher. Alguns conseguiram, outros foram apanhados pelos guardas de fronteira e for\u00e7ados ao recrutamento obrigat\u00f3rio. Mulheres trans tamb\u00e9m n\u00e3o conseguiram escapar \u00e0s garras da m\u00e1quina de guerra, pois para o Estado e o ex\u00e9rcito elas s\u00e3o homens e, portanto, est\u00e3o proibidas de deixar o pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">Do ponto de vista internacionalista prolet\u00e1rio, devemos promover e apoiar a decis\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o das pessoas que, quer por raz\u00f5es de autopreserva\u00e7\u00e3o, quer por raz\u00f5es pol\u00edticas, se recusam a se sacrificar pela \u201cp\u00e1tria\u201d e escapam ao esfor\u00e7o de guerra nacional. Devemos promover o seu exemplo como uma verdadeira pr\u00e1tica prolet\u00e1ria contra a ideologia dominante do militarismo e do nacionalismo que se escondeu atr\u00e1s at\u00e9 das imagens da bandeira vermelha e negra.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">Enquanto a guerra e os seus horrores extremos se prolongarem, a ideologia do sacrif\u00edcio pela \u201cp\u00e1tria\u201d pode desmoronar e se desfazer e as pr\u00e1ticas de deser\u00e7\u00e3o podem surgir dentro de ambos os ex\u00e9rcitos, como de fato aconteceu nos meses anteriores. No ex\u00e9rcito ucraniano, que apesar do apoio ocidental \u00e9 ainda mais fraco do que o ex\u00e9rcito russo, fen\u00f4menos de deser\u00e7\u00e3o s\u00e3o bastante frequentes. Em muitos casos, podem n\u00e3o ser deser\u00e7\u00f5es com um conte\u00fado puramente internacionalista, mas sim uma fuga de um ex\u00e9rcito que os envia destreinados e desarmados em miss\u00f5es suicidas como ovelhas para o abate. Mesmo assim, s\u00e3o certamente uma rachadura no frenesi da guerra e um exemplo de resist\u00eancia contra o poder militar do Estado.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">No ex\u00e9rcito russo, h\u00e1 tamb\u00e9m milhares de soldados que se recusam a regressar \u00e0 Frente Ucraniana, alegando que est\u00e3o sendo levados \u00e0 sua senten\u00e7a de morte. Em setembro de 2022, Putin anunciou a imposi\u00e7\u00e3o de uma mobiliza\u00e7\u00e3o parcial, envolvendo cerca de 300.000 reservistas. O an\u00fancio desencadeou uma enorme onda de pessoas que fugiam da R\u00fassia (estima-se que mais de 300.000 pessoas deixaram o pa\u00eds at\u00e9 ao momento da reda\u00e7\u00e3o deste texto) temendo que o recrutamento fosse generalizado ou que as fronteiras fossem fechadas. Manifesta\u00e7\u00f5es contra a mobiliza\u00e7\u00e3o eclodiram em muitas regi\u00f5es da R\u00fassia e foram reprimidas brutalmente pela pol\u00edcia. Al\u00e9m disso, ocorreram v\u00e1rios ataques aos escrit\u00f3rios de recrutamento (os escrit\u00f3rios de recrutamento na R\u00fassia foram regularmente incendiados desde o in\u00edcio da guerra). Tr\u00eas dias ap\u00f3s a declara\u00e7\u00e3o de mobiliza\u00e7\u00e3o, Putin assinou uma emenda legislativa que estipulava uma pena de pris\u00e3o de 10 anos para os desertores.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">Os atos de deser\u00e7\u00e3o em tempo de guerra constituem um dos atos mais radicais de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ideologia nacionalista. Essa \u00e9 a raz\u00e3o pela qual historicamente os desertores em tempos de guerra foram submetidos a extrema viol\u00eancia e repress\u00e3o por parte do estado e das autoridades militares.<\/p>\n<p><strong>Derrotismo Revolucion\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">O derrotismo revolucion\u00e1rio era a posi\u00e7\u00e3o dos internacionalistas revolucion\u00e1rios na Primeira Guerra Mundial, em contraste com a parte da Segunda Internacional que decidiu participar ativamente no massacre. Desde ent\u00e3o, o derrotismo revolucion\u00e1rio tem sido a posi\u00e7\u00e3o padr\u00e3o de todos os comunistas ou anarquistas internacionalistas que enfrentam a guerra capitalista.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">Derrotismo revolucion\u00e1rio n\u00e3o significa pacifismo. Significa a transforma\u00e7\u00e3o da guerra nacional numa guerra de classes, isto \u00e9, a subvers\u00e3o da paz social que a burguesia tenta impor pela for\u00e7a para poder travar com \u00eaxito a sua guerra. Significa luta de classes contra a nossa pr\u00f3pria burguesia e solidariedade com os prolet\u00e1rios de outros pa\u00edses que tamb\u00e9m est\u00e3o desenvolvendo a sua pr\u00f3pria luta contra suas pr\u00f3prias burguesias. Lutamos contra a nossa pr\u00f3pria burguesia\u00a0<em>n\u00e3o para que ela seja derrotada pelo Estado mais poderoso<\/em>, isto \u00e9, o Estado que ser\u00e1 capaz de disciplinar o seu pr\u00f3prio proletariado de forma mais eficaz, mas para derrotar os interesses da burguesia no seu conjunto, como tamb\u00e9m s\u00e3o expressos na guerra nacional. O derrotismo revolucion\u00e1rio \u00e9 a mobiliza\u00e7\u00e3o ativa contra o recrutamento for\u00e7ado, o apoio aos desertores, o apoio \u00e0s lutas nos locais de trabalho contra as redu\u00e7\u00f5es salariais, contra o aumento da jornada de trabalho ou a imposi\u00e7\u00e3o de trabalho for\u00e7ado devido \u00e0 guerra. O derrotismo revolucion\u00e1rio \u00e9 a sabotagem da ind\u00fastria da guerra, a divulga\u00e7\u00e3o de propaganda internacionalista aos soldados de todos os campos opostos, a coopera\u00e7\u00e3o e a solidariedade pr\u00e1tica com os prolet\u00e1rios de todos os pa\u00edses envolvidos e a circula\u00e7\u00e3o das lutas, a expropria\u00e7\u00e3o de bens para a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades prolet\u00e1rias e qualquer outra a\u00e7\u00e3o que possa contribuir para o nosso objetivo, que n\u00e3o \u00e9 outro sen\u00e3o o desenvolvimento do movimento revolucion\u00e1rio contra as rela\u00e7\u00f5es sociais capitalistas que envolvem a matan\u00e7a m\u00fatua interprolet\u00e1ria em tempo de guerra.<\/p>\n<p class=\"texto-justificado\">O derrotismo revolucion\u00e1rio significa para n\u00f3s, aqui hoje, com a guerra em curso na Ucr\u00e2nia, que temos de intensificar as lutas de classes onde estamos, especialmente quando os Estados em que residimos est\u00e3o ativamente envolvidos no conflito militar e os efeitos da guerra sobre a nossa classe j\u00e1 s\u00e3o devastadores. N\u00e3o, \u00e9 claro, apoiar um lado ou outro \u2013 esse \u00e9 o trabalho de todos os tipos de nacionalistas, sejam anarquistas, de esquerda ou direitistas. Mas, pelo contr\u00e1rio, perturbar precisamente o mon\u00f3logo nacionalista predominante e impor aquilo que sempre definiu os interesses da nossa classe: a luta da vida contra a morte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Traduzido por Marco T\u00falio Vieira (Cr\u00edtica Desapiedada portal) Introdu\u00e7\u00e3o O nosso objetivo inicial antes de publicar em ingl\u00eas o texto \u201cGuerra e Crise\u201d, sobre a guerra na Ucr\u00e2nia, era compor, junto de outros camaradas, um artigo mais amplo e abrangente que inclu\u00edsse, para al\u00e9m do texto sobre a situa\u00e7\u00e3o atual, uma cr\u00edtica ao imperialismo e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":319,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-1211","page","type-page","status-publish","czr-hentry"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.8 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Contra a posi\u00e7\u00e3o leninista sobre o imperialismo - 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